O DESAFIO DA COMPETÊNCIA NA DIMENSÃO PEDAGÓGICA DO ENSINO

Acredito que o “problema da competência” já é um velho conhecido de todos. Afinal, quem não se lembra da expressão HABILIDADES E COMPETÊNCIAS?

Contudo, com o passar dos anos, e o “desenvolvimento das sociedades e das tecnologias”, principalmente, em razão desta última, ambas caíram em desuso, sendo esmaecidas pelo brilho da “aurora das máquinas”.

Vejamos, então, uma breve revisão da literatura para relembrarmos conceitos fundamentais.

Zabala e Arnau (2010) analisaram noções sobre competência e verificaram as semelhanças em seus termos. Os autores afirmam que competência é a existência de estruturas cognoscitivas que permitem a ação. Tal habilidade é usada para resolver uma situação real e complexa de forma eficaz, rápida e criativa. Nesse sentido, é necessário articular conhecimentos, valores e atitudes de forma integrada (SILVA, 2014, p.19).

Segundo este autor, o fundamento da competência, no âmbito educacional, reside nas situações-problema, que são desafios que surgem durante a caminhada do educando e que, em regra, estão acima dos exercícios, pois exercícios podem ser apenas repetições e situações-problema envolvem o planejamento, a tomada de decisão e a análise do contexto. Além disso, o mesmo autor ratifica que as COMPETÊNCIAS surgiram, primeiro, no campo profissional, do trabalho, e depois migraram para o campo educacional, como forma de consubstanciar o aprendizado com um sólido preparo para a vida e a interação social.

De igual modo, segundo Perrenoud as competências exigem associação entre conhecimentos e interação social, de acordo com os enfrentamentos da vida em sociedade. Para ele:

Partindo do princípio de que os seres humanos se desenvolvem pelas relações que estabelecem com seu meio, [vendo-se] as competências não como um caminho, mas como um efeito adaptativo do homem às suas condições de existência. Desse modo, cada pessoa, de maneira diferente, desenvolveria competências voltadas para a resolução de problemas relativos à superação de uma situação[..] (PERRENOUND, 1999, p.151, omissão e inclusão nossas).

E, por fim, nas recomendações do próprio MEC, a competência exige a adaptação do conhecimento para enfrentar todos os desafios sociais e do mundo do trabalho e, por isso, transcende a simples comunicação de fatos, ideias e saberes:

As competências tratam sempre de alguma forma de atuação, só existem “em situação” e, portanto, não podem ser aprendidas, apenas pela comunicação de ideias. Para construí-las, as ações mentais não são suficientes – ainda que sejam essenciais. Não basta a um profissional ter conhecimentos sobre seu trabalho; é fundamental que saiba fazê-lo (MEC/2000).

Como podemos observar, a competência surge do uso dos conhecimentos no mundo real (e não no mundo das ideias), no fazer diário de cada um, como forma de enfrentamento das diversas situações-problema. É a capacidade de uso do conhecimento adquirido para a própria subsistência e integração, tanto no mundo socioeconômico, quanto cultural e laboral. E, portanto, quanto maior a capacidade de uso dos saberes para o exercício profissional, que é a porta de entrada para o sucesso econômico, para a melhoria da qualidade de vida, de saúde e pessoal, maior é a competência.

Note-se, portanto, que o desenvolvimento de competências exige um ensino baseado em recortes da realidade, na experimentação e na manipulação de problemas reais. E essa dimensão do ensino pressupõe uma fala (a fala do mestre/professor) que não esteja condicionada apenas ao campo conceitual, abstrato, ideológico, mas solidamente alicerçada na experiência de quem não apenas tem conhecimentos, mas, principalmente, que faz uso desses conhecimentos que tem em sua jornada diária.

Assim, o desenvolvimento de competências exige um mestre que não seja apenas um bom leitor de teóricos e/ou exímio interprete das várias teorias, mas que seja um praticante fiel e nato do próprio conhecimento que ensina, agregando às suas aulas, as suas… as suas… as suas…. as suas experiências pessoais do próprio saber que detém, e, é claro, os daqueles que já trilharam pela mesma estrada da vida.

Quem é competente tem muita história pra contar!
Faça uma pós com a gente e mude a sua história!

Jorge M.Brito
Escola de Jornalismo, Administração e Negócios
Diretor Pedagógico

Referencial
ANTUNES, Celso. Como Desenvolver as Competências em Sala de Aula, Petrópolis, RJ: Vozes, 2001. Fasc. 8.
BRASIL. Ministério da Educação. Proposta de diretrizes para a formação inicial de professores da educação básica, em cursos de nível superior. Brasília, 2000. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/basica.pdf>. Acesso em: 18/05/2017.
PERRENOUND, Phillipe. Construir as Competências desde a Escola, Porto Alegre, Artmed Editora, 1999, p.151
SILVA, Gabriele B. Habilidades e Competências na Prática Docente: Perspectivas a partir de situações-problema. Educação por Escrito, Porto Alegre, v.5, n.1, p.17-19, jan./jun. 2014.

02/06/2017